O resultado do exame, depois confirmado pela biópsia, eu me lembro até hoje: "Alterações compatíveis com retocolite ulcerativa em atividade". Fui eu pro consultório da médica onde ela não me explicou muito bem do que se tratava. A medicação prescrita foi Meticorten (prednisona) e Azulfin (sulfasalazina), duas medicações caras, não só pelo preço em si, mas pela dose prescrita, quantidade na caixa e continuidade do uso. Nessa época não havia genéricos deles. A dose de corticoide - a prednisona - não foi alta nesse início, já que ela é prescrita de acordo com o peso e eu havia saído do meu peso habitual - 59 quilos para 51. Mesmo levando em conta a minha baixa estatura (1,66m), é pouco peso. Eu fiquei bem acabado...
Depois de passar onze dias hospitalizado, uma das perguntas que fiz à medica foi: estou proibido de comer alguma coisa? Ela disse que não tinha muito a ver a alimentação. Com tanto tempo ingerindo comida de hospital, a primeira coisa que quis comer foi esfirra do Habib's. Nesse dia eu me fiz. Discos de massa com carne e queijo que custava R$0,39 cada nunca me deixaram tão satisfeito...
Já em casa, iniciei o tratamento. Poucos dias depois eu já estava bem melhor. Diarreia e sangramento cessaram em menos de uma semana. Conheci, então, um dos primeiros efeitos colaterais da prednisosa: a apetite. Era um tempo onde se comprava sete pães por um real, e eu comia três no café da manhã e três no lanche. Nem preciso comentar que rapidamente recuperei meu peso.
Cheguei a ir a duas consultas eletivas no Hospital. Na primeira delas, uma solicitação de colonoscopia. Um exame mais completo pra verificar a situação intestinal com mais extensão. Não havia como fazer no Hospital da Lagoa, então fui encaminhado ao Hospital Souza Aguiar. Eu não me lembro do preparo da minha primeira colono, mas como nunca fiz diferente, deve ter sido com dieta zero, Manitol e algum laxante. Eu estava tranquilo para o exame. Na sala de espera havia um idoso extremamente debilitado que faria o exame antes de mim. Pensei: como a minha situação está boa. Até que a enfermeira passou com uma longa mangueira preta, olhou pra mim e disse: olha aqui o que te espera! Aí,acabou a tranquilidade. Vão enfiar aquilo ali em mim? E eu só pensava em uma coisa: é óbvio que tem que ser sedado.
Entrei e recebi a sedação. Não me lembro de nada depois disso e pra mim foi tranquilo. Meu irmão, do lado de fora me esperando, disse que foi desesperador porque eu gritava como quem estava sendo torturado. Essa situação em particular nunca se repetiu. Não sei dizer se fizeram pouca sedação. Só mesmo os médicos pra explicar. Nunca tive a curiosidade de buscar tal explicação. Busquei o resultado semanas depois e levei o resultado à médica. Continuei a tomar o Azulfin por alguns poucos meses. Era um período complicado financeiramente e contamos com a ajuda de algumas pessoas pra comprar algumas caixas. Inclusive, o próprio laboratório - Apsen - enviava algumas caixas pra auxiliar no tratamento.
Como eu não tinha esclarecimento o suficiente do que era a retocolite, não fazia ideia de que se tratava de uma doença crônica, sem cura. Sem sintomas por um bom tempo já e sem grana pra continuar bancando o tratamento. Eram oito comprimidos por dia, a caixa vinha com 60, portanto, eram necessárias quatro caixas por mês. Hoje, isso custaria em torno de R$320. A pouca grana e o longo período assintomático, aliados ao nenhum esclarecimento contribuíram para que eu deixasse de comprar o remédio e deixasse de marcar as consultas, acreditando ter o problema resolvido.
Continua no post "A retocolite e a crise mais severa de todas"

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