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| Hospital da Lagoa |
Uma vez dentro do hospital eu pelo menos sabia que algo finalmente seria feito. Fiquei em uma enfermaria de dois leitos, mas só tinha eu lá. Os detalhes do meu primeiro atendimento depois da emergência eu não me lembro.
Eu fiquei no sexto andar e tive que descer pra fazer um desconhecido exame e mais um nome grande e esquisito entrou pro meu vocabulário: retossigmoidoscopia. Eu não fazia ideia do que me esperava. Pra começar, o preparo. Eu não me lembro, mas certamente teve dieta ou jejum. Então fiz um clister glicerinado.Trata-se de uma daquelas garrafinhas de soro, com um equipo (mangueira) para uso em nutrição enteral. A gente introduz no ânus e deixa a glicerina descer. A vontade de evacuar é desesperadora, mas é necessário segurar a onda pra poder fazer o exame. Feito o preparo, elevador e lá fui eu. Cheguei à sala do exame, e havia umas três ou quatro pessoas. Diferente dos exames que fiz depois (nisso falo em outras postagens), descrevo a cena. Era uma prancha inclinada onde eu tinha que apoiar a barriga, ou seja, as nádegas ficavam apontando pra cima.
Um tubo de metal nada modesto foi introduzido e aquilo doía demais, pois a todo instante mexiam na direção do equipamento. Essa experiência eu posso classificar como muito ruim, ainda mais com toda a região muito inflamada. Mas enfim, foi necessário pra que fosse descoberto o que eu tinha.
Como eu não fazia ideia de como estava o meu estado físico, falo pela debilidade do corpo, resolvi não usar o elevador. Disse que estava no sexto andar, não é? Resolvi subir de escada os seis andares e o que aconteceu foi terrível. Cheguei à enfermaria e desabei na cama. O ar não vinha e parecia que eu tinha corrido a maratona de Nova Iorque. Ali eu tive a perfeita noção de como meu corpo estava debilitado. Não me lembro quanto tempo levei pra conseguir voltar ao normal, mas aquilo foi tenso.
Pra ajudar no diagnóstico, exame de fezes, fora o hemograma. Sobre o exame de fezes, um fato curioso e até engraçado. Foi a minha primeira situação constrangedora pela doença, embora não tenha passado o vexame diretamente. Coletei minhas fezes com o pote que me deram. Não era como os de hoje, com rosca, mas de tampa de encaixe. Estou eu deitado no leito quando sinto um cheiro forte de esgoto vindo do corredor. O banheiro ficava na entrada da enfermaria e pela porta entrava um vento que trazia o cheiro. Nada daquele fedor horrível passar. Teve uma hora que veio uma comitiva de médicos (não sei se o coletivo se aplica à classe). Acho que apenas estavam vistoriando o hospital. Fizeram algumas perguntas e se foram. Levantei pra ir ao banheiro e quando parei de frente pra porta, era um cenário de horror. Por algum fenômeno físico ou químico, talvez uma fermentação, aquilo tornou-se uma bomba. Havia cocô na pia, nas paredes, no vaso, no piso, na toalha que estava estendida... Muito envergonhado e antes que alguém pudesse ver, limpei tudo. Usei muito papel e quando vi que não resolveria e já que a toalha estava em estado deplorável, limpei tudo e depois gastei quase todo o sabonete pra lavar a coitada. Depois de "nova em folha", coloquei pra secar, mas acabei pedindo que trouxessem outra.
O procedimento lá era meio estranho. Desci para o exame sozinho. Quando era pra pegar o resultado, também. Lembrando que eu estava lá internado e me arrastando. De posse do resultado, veio o diagnóstico de retocolite. Eu não fazia ideia do que poderia ser aquilo. A médica não me explicou nada a respeito. Receberia alta no dia seguinte, depois de longos onze dias de internação.
Continua no post "A retocolite - O início do tratamento"



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