Quando saí do hospital ainda fiquei de
licença um tempo. Foram dois meses e meio pelo INSS. Nesse tempo, uma
vizinha e membro da mesma igreja disse que conhecia um médico que a
tratava da síndrome do cólon irritável. Fui procurar o médico, que não
atendia pelo plano. Marquei a consulta pelo particular e fomos, meu pai e
eu, lá. Lembro que na época eu paguei o que correspondia a 17% do meu salário.
Conheci o Doutor Antônio Carlos Moraes e descobri o tratamento humano pela primeira vez. Com ele passei a saber o que é cuidar da doença e cuidar do paciente. Um dos maiores especialistas do Brasil e do mundo em doença inflamatória intestinal. Um dos médicos que me consultei anos depois o descreveu como "o papa das doenças inflamatórias intestinais".
Foi uma longa consulta. Nela ele me esclareceu, pela primeira vez, o que era a retocolite. Trata-se de uma doença autoimune. No caso da retocolite, o intestino é reconhecido pelo organismo como um invasor e as defesas o atacam. Disse-me ainda ele que era uma doença predominante em pessoas de cor branca, tendo também relação com a descendência judia, o que não era o meu caso. Ela se manifesta na juventude, é crônica, sem cura, mas tratável.
O doutor Antônio me disse uma frase que me tranquilizou: "As pessoas morrem com retocolite e não de retocolite". Fui examinado, ele me contou história de pacientes e disse nunca morreu algum paciente dele em consequência da doença.
Fiz, então, uma pergunta importante: e dieta? Preciso fazer alguma?! Então, recebi a melhor resposta possível. "Não". Ele me explicou que a causa da retocolite ainda era desconhecida mas que a alimentação não teria relação direta com ela. Mas fez ressalvas. Não é recomendado a quem tem retocolite ingerir comidas muito condimentadas porque pode irritar a parede intestinal. Durante a crise, nada de leite e derivados, pois pioram o quadro. Depois de uma longa explanação sobre a retocolite, fiquei bem mais tranquilo.
Continua no post "A retocolite e a mesalazina"
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