sexta-feira, 14 de julho de 2017

A retocolite e a mesalazina

Diante de um especialista, algo iria mudar com certeza. Além da forma como fui tratado e de todo o esclarecimento, hora de substituir a medicação. Então, fui apresentado ao Mesacol, cujo princípio ativo é a mesalazina. Obviamente eu não saberia diferenciar tecnicamente a mesalazina da sulfasalazina. A mesalazina é a medicação usada atualmente para o tratamento de retocolite e doença de Crohn. São comprimidos revestidos para atravessar o estômago e liberar o princípio ativo no intestino grosso (leia aqui).

A mesalazina foi prescrita enquanto eu ainda reduzia a dose de prednisona. Que nenhuma medicação deve ser usada ou interrompida sem orientação médica nós já sabemos. Mas a prednisona, em particular, não pode ser bruscamente interrompida, conforme podemos ver aqui.

A prednisona causou alguns efeitos colaterais em mim. Inchaço devido à retenção de liquido, fadiga, apetite exagerado e o meu suor passou a ter um odor característico, não um cheiro ruim, mas peculiar. Mais a frente falarei de outros efeitos devido ao mau uso.

Nessa época, mesmo com o tratamento adequado, eu cheguei a ter uma crise desencadeada pelo meu estado emocional e para que eu pudesse sair mais rápido da crise sem ter que retomar a dose maior de prednisona, foi prescrita a mesalazina enema. A apresentação é em um frasco com uma cânula para aplicação, onde contém um veículo glicerinado e um envelope com 3g de mesalazina. A aplicação é simples, mas constrangedora. Eu nunca apliquei enema com alguém presente. Ou ficava no quarto sozinho ou forrava uma toalha no banheiro. A gente aplica diretamente pelo ânus. Como possui uma espécie de diafragma entre o tubo e o aplicador, o conteúdo não volta ao frasco. Também não é necessário que se aplique tudo porque a quantidade já foi projetada considerando a parte que não é introduzida. Quanto mais tempo se puder manter a medicação no intestino, melhor. Eu chegava a conseguir, inclusive, dormir com ela. A aceleração da melhora fica muito evidente.


Saí definitivamente da crise e me livrei do corticoide dessa vez. Depois de uma internação traumática, eu estava bem novamente, mas era necessário acompanhar isso de perto e dar prosseguimento ao tratamento. 

Continua no post "A retocolite e a azatioprina"

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