Fui breve nas postagens anteriores porque essa parte do histórico da minha doença merece uma atenção maior.
Como eu havia dito, minhas crises eram recorrentes e chegavam a duas por ano. Isso significa que eu não passava bem em nenhum dia do ano. A prednisona é prescrita de acordo com o peso. Em geral, minhas doses iniciavam com 60mg. Essa dose é mantida por um tempo e só depois começa o desmame. Então, digamos que a dose inicial comece em 60mg; Essa dose era mantida por pelo menos um mês e era gradualmente diminuída até não usar mais. A cada 10 dias se reduzia 10mg da dose, partindo-se o comprimido na metade. Quando a dose chegava aos 10mg, então passava a usar o de 5mg, depois a metade e fim.
De posse dessa "fórmula mágica" lá fui eu tentar resolver meus problemas sem médico. Afinal, era sempre assim: crise, prednisona, desmame, fim da crise. Chegou um tempo que meu organismo não respondia aos 60mg iniciais e então passei aquela vergonha de dizer ao Dr Paulo que eu já havia iniciado o corticoide e não estava resolvendo. Na época, o doutor me explicou que, não se sabia porque, em algumas vezes o organismo não responde ao corticoide oral. As duas soluções seriam ou aumentar a dose ou fazer por via venosa. Até então eu já tinha outras duas internações além das que relatei aqui antes e o procedimento era sempre o mesmo: corticoide oral, antibiótico venoso. A partir dessa nova informação eu passei a recusar algumas internações, já que elas não me faziam bem. Falaremos disso depois.
Então, eu tinha uma nova "receita mágica": aumentar ainda mais a dose por conta própria cada vez que o sangramento aparecesse. Eu precisava escrever sobre isso porque as consequências desse uso descontrolado eu vivo até hoje.
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| Acima prednisona em uso. Abaixo, já sem usar. |
A primeira coisa que a gente percebe é o inchaço do corpo por causa da retenção de líquido. Embora seja o menor dos males, é relevante comentar. A autoestima, já complicada por causa dos constrangimentos que a doença causa, despenca. É péssimo se olhar no espelho e ver um rosto deformado pelo inchaço. As pessoas fazem piadas e a gente aguenta até certo ponto. Com o inchaço a gente tem a aparência de ter engordado muito. Na verdade, o apetite aumenta de forma considerável e a gente acaba engordando e inchando. Se eu tive dificuldades com isso, fico imaginando para as mulheres. Inclusive, conheci uma através do meu blog antigo que passou momentos ruins por causa da aparência. Algumas fotos minhas podem dizer o que estou falando.
A aparência é a parte visível para quem sofre com o uso da prednisona. Além disso, minha pressão arterial passou a frequentar níveis mais altos, chegando a 180 por 110mmHg. Em consequência disso, a pressão intraocular chegou a 28mmHg, quando o normal é 10 e o aceitável, 18mmHg. Como resultado disso, cheguei perto de ter glaucoma medicamentoso, mas não escapei de uma catarata e ainda tenho algo na retina a ser investigado.
Outro efeito terrível do corticoide é a fadiga. Uma simples atividade como tomar banho ou subir escadas torna-se um tormento porque a gente simplesmente não consegue puxar o ar. Falta fôlego, falta força, a disposição desaparece, a respiração fica ofegante. As cãibras são constantes, principalmente nas panturrilhas e nas mãos, que chegam a ficar travadas e tortas. Na panturrilha a dor é desesperadora.
Muitos desses sintomas certamente surgem mesmo com as doses prescritas pelo médico. A questão é que eu fiz uso mais vezes que o necessário e pior. Por não ter o acompanhamento do médico, eu não tinha ideia de como estavam meus índices. O que sei é que a taxa de leucócitos disparava, somando-se aí perda de sangue e uso de prednisona. Cada vez que eu baixava na emergência o exame de sangue caguetava logo e a solução do hospital era sempre a mesma: internar.
Pra mim, parecia lógico, já que a cada visita ao médico a prednisona era o que sempre me era receitado. Cansado de ter sempre a mesma fórmula pra resolver o problema, eu resolvi que seria assim sempre. Até que um dia o médico me disse em tom irônico: você sempre faz isso, não é? Se automedica?
Claro que minha intenção não é assustar as pessoas por causa dos efeitos colaterais. Inclusive, não leia a receita do Meticorten, Corticorten, Predsin e tantos outros. Se fizer isso, você não usa. Meu alerta fica para o uso sem prescrição e sem o devido acompanhamento através de hemograma e pelos médicos de outras especialidades quando se iniciam os efeitos. A prednisona é uma descoberta fascinante da medicina, atua em diversas doenças mas, como todo medicamento, deve ser prescrito e, nesse caso, acompanhado.
Como as doses altas e de uso continuado causa todos esses efeitos, obviamente o nosso psicológico entra em parafuso, afinal, seu corpo se mostra feio e débil, então, o o humor se torna sensivelmente instável. Ao menos comigo e com as pessoas com as quais conversei a respeito sempre foi assim. No meu caso, uma irritabilidade muito grande, paciência zero e completo descontrole das emoções. Sentei na doença e fiz ali um apoio pra extravasar todo o meu mau humor.
Passei a conhecer meu corpo e minha mente e entender como se comportavam.
Pra mim, parecia lógico, já que a cada visita ao médico a prednisona era o que sempre me era receitado. Cansado de ter sempre a mesma fórmula pra resolver o problema, eu resolvi que seria assim sempre. Até que um dia o médico me disse em tom irônico: você sempre faz isso, não é? Se automedica?
Claro que minha intenção não é assustar as pessoas por causa dos efeitos colaterais. Inclusive, não leia a receita do Meticorten, Corticorten, Predsin e tantos outros. Se fizer isso, você não usa. Meu alerta fica para o uso sem prescrição e sem o devido acompanhamento através de hemograma e pelos médicos de outras especialidades quando se iniciam os efeitos. A prednisona é uma descoberta fascinante da medicina, atua em diversas doenças mas, como todo medicamento, deve ser prescrito e, nesse caso, acompanhado.
Como as doses altas e de uso continuado causa todos esses efeitos, obviamente o nosso psicológico entra em parafuso, afinal, seu corpo se mostra feio e débil, então, o o humor se torna sensivelmente instável. Ao menos comigo e com as pessoas com as quais conversei a respeito sempre foi assim. No meu caso, uma irritabilidade muito grande, paciência zero e completo descontrole das emoções. Sentei na doença e fiz ali um apoio pra extravasar todo o meu mau humor.
Passei a conhecer meu corpo e minha mente e entender como se comportavam.

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