Por exemplo, eu nunca tinha crise imediatamente após um revés emocional. Meu corpo tinha um delay de uns dias pra reagir a isso. No meu caso, os gases aumentavam no meu intestino, os ruídos da atividade da doença começavam a aparecer, as vezes iam, aos poucos, se tornando mais moles. Acreditem, até pelo cheiro dos meus gases eu sabia qual era a condição do meu intestino. Sabia também o que era uma diarreia comum, de algo que não caiu bem, e quando era crise.
Conhecer o corpo tendo retocolite é importante, inclusive quando se usa corticoide para controlar as crises. Por muitas vezes me deixei iludir com a falsa esperança de que o que eu sentia não era uma crise ou que aquilo poderia ser revestido naturalmente. Infelizmente, não é assim que funciona. O efeito psicológico negativo que provoca a crise não pode ser revertido por uma boa coisa, uma boa noticia, um pensamento positivo. Aprendi que crise é crise e deve ter a atenção como tal. Obviamente, não como eu fazia, me automedicando, mas o seu médico deve ser consultado. Nunca ignore os primeiros sinais se eles se prolongarem por alguns dias. Havia vezes em que era um falso alarme, sim. Mas aprendi a perceber todas essas situações. Isso é muito importante. Guarde na memória o trajeto que seu organismo faz até a crise de fato. Converse sempre com o médico e pergunte sobre toda e qualquer reação do seu corpo, mesmo que pareça irrelevante. Por exemplo, no início da minha doença, eu sentia muitas dores no joelho. Parecia não ter relação com a RCU ou talvez teria com a medicação, mas descobri que era um sintoma periférico da doença.
Portanto, é importante conhecer cada detalhe do seu corpo. Isso vai te ajudar a reagir de forma mais racional, a aceitação à doença também se faz mais fácil e a gente acaba sabendo melhor prevenir uma crise ou que ela chegue a um nível ruim. Uma crise fraca é rapidamente revertida. Deixar que ela chegue a um nível alto piora não só o corpo mas a mente e isso vai se retroalimentando, tornando mais difícil a remissão.
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